Neto de ferroviário recria em miniatura estações da principal ferrovia do Centro-Oeste Paulista

Aproximadamente 300 vagões e mais de 50 locomotivas compõem a coleção do ferromodelista de Jaú (SP), além dos trilhos, veículos, paisagens e acessórios.

Por Renata Marconi, Do G1 Bauru e Marília

Ângelo ensina o filho sobre seu hobby e sobre a ferrovia (Foto: Renata Marconi/G1)
Apaixonado por ferrovias, um técnico em eletrônica de Jaú (SP) recriou em miniatura algumas estações ferroviárias do século passado na região Centro-Oeste Paulista. Neste domingo (30) é comemorado o Dia do Ferroviário e Ângelo Francisco Pereira, de 41 anos, conta com orgulho do avô que trabalhou por 40 anos na ferrovia e inspirou seu amor pelo ferromodelismo, que é um hobby de construir sistemas de transportes ferroviários em uma escala reduzida.

    “Minha maquete representa muita coisa da minha infância, da minha história. Tanto é que eu tento reproduzir o trecho da UR3 que é da Fepasa, que sai de Itirapina até Bauru. Eu consegui fazer quatro estações: a Triagem, aí o trem passa sobre a ponte do Rio Tietê, passa o pátio da estação de Ave Maria, vem para Jaú e finaliza em Banharão. É uma alegria ter essa maquete e reviver o que a gente não tem mais hoje em dia, que é o transporte de passageiros, as máquinas elétricas, são estações que não existem mais”, conta Ângelo. 

 Ângelo se baseou nas fotos do pai para recriar estações ferroviárias (Foto: Renata Marconi/G1)

São aproximadamente 300 vagões, mais de 50 locomotivas que compõem a coleção do ferromodelista, além dos trilhos, veículos, paisagens e acessórios. Todos os itens da coleção do jauense são 87 vezes menores do que os originais. São 180 metros de trilhos em uma espaço de 35 metros quadrados. “Eu tentava aliar as fotos que eu tinha com a maquete, que se parecesse com a realidade.”

Inspiração

A história da ferrovia tem tudo a ver com o desenvolvimento da região. A cidade de Bauru, que fica a 54 km de Jaú, já foi considerada o maior entroncamento ferroviário do país e, no auge da ferrovia, no século XX, era um dos pontos de onde saiam os trens que as pessoas usavam para irem a todos os lugares.

    “Eu tenho muitas e muitas recordações porque eu andava de trem de duas a três vezes por semana com meu pai. Nas férias era quase todos os dias. Tinham bastante trens e rápidos. Hoje são poucos trens, lentos, porém levam muito mais”, lembra o técnico em eletrônica.

Além dessas lembranças boas da infância, Ângelo conta que a inspiração para o hobby do ferromodelismo e a reconstrução das estações vem de duas paixões de família. A ferrovia por causa do seu avô, que trabalhou por 40 anos entre os trens, e a fotografia que era a paixão do pai. Francisco Pereira Filho, pai de Ângelo, nunca trabalhou na ferrovia, mas foi convidado por uma empresa ferroviária para fazer exposições sobre a história das locomotivas e dos trilhos por 32 anos.

Paisagens também foram recriadas em maquete (Foto: Renata Marconi/G1)

“Apesar de não ter conhecido meu avô porque quando eu nasci ele já tinha falecido, eu sinto prazer de saber que foi ele que começou o que eu gosto hoje. É meu hobby, meu passatempo. Meu pai tinha paixão pela foto e eu só conhecia isso. Quando eu tinha 10 anos em um Natal, vi em uma loja um trem elétrico. Meu pai só conseguiu comprar um vagão. Depois ele comprou trilhos e então começou meu hobby. Aí, além das fotos das ferrovias, eu comecei a gostar das maquetes”, conta.

Futuro

A estação ferroviária de Bauru foi inaugurada na década de 30 e centralizava todos os serviços da empresa Noroeste, mas em 1995 os trens de passageiros da Noroeste foram extintos. Os trens de passageiros para Bauru, na antiga linha da Cia. Paulista, chegaram à estação pela última vez em 15 de março de 2001.

A ferrovia no Centro-Oeste foi importante para o crescimento da região, mas há tempos perdeu a importância. Mesmo assim, o morador de Jaú realizou por dois anos o sonho de ficar perto da sua paixão e trabalhou entre trilhos e trens.

    “Nós tínhamos a melhor ferrovia da América Latina, que era a Companhia Estrada de Ferro, que passava por Jaú e Bauru. Eu já vi gente entrar na estação e chorar, lembrar do que era e chorar. Era o ouro. O futuro era antigamente."

Ângelo conta que apesar do esquecimento da ferrovia atualmente, ele ainda vê futuro para os trens. “Nós não temos mais o transporte de passageiros, mas no transporte de carga as máquinas são de primeiro mundo. Gostaria que o transporte de passageiros tivesse sido mantido, mas infelizmente não foi bem assim. Mas o transporte de carga está ressurgindo, está aumentando, com novas tecnologias. Eu acredito que no Brasil isso vai ser o futuro.”

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