Metrô identifica peça com problema que causou descarrilamento de trem em SP

Segundo a companhia, equipamento que dá sustentação para as rodas superaqueceu em viagem da Linha 3-Vermelha na terça.

Por Wallace Lara, TV Globo

Trem descarrilou na Zona Leste de São Paulo (Foto: Reprodução/TV Globo)
Metrô identificou o equipamento que quebrou no trem que descarrilou na terça-feira (7) na Linha 3-Vermelha, na Zona Leste de São Paulo. Segundo a companhia, a suspeita é que tenha havido superaquecimento no truque, equipamento que dá sustentação para as rodas.

As equipes tiveram que usar quatro macacos de remoção para levantar o vagão. Fotos obtidas com exclusividade pelo SPTV mostram a substituição da peça que quebrou no trem que descarrilou.

“Na estação anterior, o nosso operador escutou um ruído, Imediatamente, avisou o centro de controle. Imediatamente nosso centro de controle alinhou rota para esse trem ir para o pátio, tirando de circulação”, disse o diretor de operações do Metrô, Milton Gioia. “O trem, no trajeto de Arthur Alvim a Corinthians-Itaquera, apresentou problema. Então não houve tempo para que ele fosse para a oficina de manutenção.”

O Metrô diz que o centro de controle de operações não errou ao mandar o operador do trem seguir viagem com passageiros no vagão, mesmo após ter sido avisado de que o trem apresentava um ruído.

O problema poderia ter sido detectado se o sensor de descarrilamento estivesse funcionando corretamente. Mas ele estava amarrado com uma fita de plástico, medida que foi adotada depois que o equipamento começou a se soltar das rodas dos trens.

Frota K

O trem que descarrilou roda há quase 40 anos na Linha Vermelha. É um dos 25 trens que integram a Frota K, modernizada em 2011.

A reforma desses trens e de outros 73, das linhas 1-Azul e 3-Vermelha, custou mais de R$ 1,75 bilhão aos cofres públicos. Os contratos estão sob investigação porque os promotores entenderam que as três empresas vencedoras formaram um cartel.

A empresa que reformou o trem da Frota K que deu problema se chama TTrans. A reportagem do SPTV conversou com representantes dela, que contaram ter enviado técnicos ao local para identificar o problema.

Eles constataram que a falha foi num sistema que não foi reformado em 2011 porque esse serviço não estava previsto no contrato fechado com o governo do estado.

“Existem várias ocorrências de problemas ocorridos com essa Frota K, inclusive trens que andam sozinhos e trens que descarrilam”, disse o promotor Marcelo Milani. “É uma frota sucateada porque o Metrô, em vez de comprar trens novos, resolveu optar por reformar os trens de 40 anos.”

Em nota, o metrô disse que o laudo sobre as causas do acidente deve ficar pronto na próxima sexta-feira (17). A companhia confirmou que dois componentes do truque, o rodeiro e o rolamento, não estavam incluídos no contrato de modernização das composições.

Sobre o sensor de descarrilamento, o Metrô disse que está cobrando do fabricante uma nova versão do sistema.

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